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O chato do violão

Quem acompanha meu Twitter certamente já deve ter lido várias reclamações minha sobre um ser quase que onipresente: o chato do violão.
Sua existência é bastante polêmica, já que ele é tão adorado quanto odiado. Por conta disso, é possível que muita gente concorde comigo, enquanto outros me achem um idiota. Por fim, há aqueles que acham os dois.

A presença do chato do violão é facilmente perceptível. Primeiramente, não há um local exato para ele aparecer, pois ele é figura garantida em todos os ambientes. Assim, basta ter um número considerável de pessoas no recinto para que um deles misteriosamente saque um instrumento e comece a cantar e se revele um chato.

Essa é a primeira característica da criatura: ser imprevisível. Você está na faculdade tentando ler algo até que um acorde rouba sua atenção. Ou então seu ônibus quebrou na estrada e eis que alguém entre os passageiros surge com violão para “animar” o pessoal, sendo que o que você mais queria naquele momento era uma arma.

Como se não bastasse ser inconveniente, o chato do violão possui um repertório de merda. Se você está tentando estudar, o que você menos quer ouvir naquele momento é um dos primeiros sucessos de Ana Carolina ou o hit do Skank em 97.

É claro que as músicas variam de acordo com o ambiente, mas são sempre ruins e você não vai gostar. Exceto se você for uma tiete.

As tietes são o terceiro ponto que fazem dos chatos do violão ainda mais chatos. Basta que alguém brote do nada com um instrumento para que logo comecem a surgir menininhas eufóricas. Perceba que são sempre mulheres que rodeiam os chatos, com gritinhos estridentes acompanhados do refrão de “Pais e filhos”. Logo depois vem “Meteoro da paixão”.

Além disso, como se não bastasse, elas cometem o pecado de pedir mais músicas. “Toca aquela do Jota Quest” é uma forma de massagear o ego do chato. O pior é que quanto mais pedem, mais o infeliz gosta e consegue fazer com que novas tietes surjam. Daí é um ciclo sem fim até que ele coma alguém.

Porém, isso também deixa outro problema bastante evidente: o chato polariza a atenção do ambiente. Se tiver alguém com um violão por perto, saiba que sua existência não vai ser percebida, pois todo mundo está focado em como ele canta bem esse “Na na na na” no meio da música tema do casal da novela.

Se você estiver com outras pessoas que não suportam o chato do violão, faça um teste: reunam-se e vão embora. Suas esposas e namoradas só vão perceber que você não está mas ali quando se derem conta de que não há carona. O único porém é o chato poder oferecer, e aí você está fodido.

A questão da polarização é bastante polêmica. Os chatos e as tietes consideram essa reclamação como implicância de quem não sabe tocar nada. Mas perceba a quantidade de gente (na maioria homens) que ficam isolados e sem ter o que fazer quando existe um chato com um violão no recinto. É como se eles usassem aquele Si Bemol e um Fá Sustenido para demarcar território. E é algo tão forte que não há mijada no poste que reverta a situação.

Isso faz com que existam três categorias de pessoas: as tietes, que já foram apresentadas, e os homens (também existem algumas mulheres) que simplesmente não suportam estes infelizes. Por fim, há os caras que gostam desse tipo de coisa. Se for o seu caso, parabéns: você é um chato do violão.

Hoje eu recebi um dos emails mais estranhos da minha vida. Entre os “Enlarge Your Penis” e as caixas de Viagra do Canadá, estava um curso de pompoarismo aqui em Curitiba. Dei uma pesquisada no Google e vi que o negócio realmente era tenso.

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Uma coisa devo admitir: nunca tive um álbum de figurinhas. Quer dizer, até tive, mas apenas daqueles com figurinhas que precisavam de cola e não tinha uma lógica temática, já que era algo baseado no sucesso do momento. No mesmo pacotinho vinham estampas das Chiquititas, Power Rangers e Pokémon. E nunca a maldita figurinha que me dava um skate.

Eu até tentei comprar álbuns oficiais, como os da Copa de 94 e 98, mas minha mãe nunca me deixava comprar figurinhas. E como eu ganhava uma mísera mesada de R$ 10,00, nunca comprava. As poucas que consegui eram as repetidas que meu vizinho me dava, tipo o resto do resto.

É por isso que o álbum de figurinhas é o objeto que separa os adultos das crianças. Se você tem um álbum e pode sustentá-lo, então você é um homem. É quase como ser casado ou ser viciado em crack.

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Cheguei a essa conclusão. Não que eu já não soubesse, mas tive a confirmação. Pessoas comuns geralmente vão para festas e saem com os amigos para socializar e se divertir. É assim com todo mundo, exceto comigo.

Odeio sair. Odeio festas e pessoas me irritam. Essa é a verdade. Por mais que tente (e juro que eu tento), não consigo fazer melhor do que isso. E como se não bastasse ter essa tendência ao isolamento, sempre me sinto mal quando tento me aproximar de alguém ou de algum grupo.

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Um dos meus maiores defeitos é o fato de eu ser possessivo demais e não saber me desfazer das coisas. Basta abrir as estantes da minha casa e ver a enorme quantidade de porcaria e tranqueira que guardo. Todas elas tiveram alguma importância para mim algum dia, mas hoje não passam de lixo que ocupam espaço e que insisto em armazenar pelo simples fato de não ter coragem de me jogar fora.

Um exemplo disso é meu Playstation 2, que comprei no início de 2008 já em seu declínio e com o surgimento de seu sucessor. Sabia que estava adquirindo algo praticamente defasado, mas minha condição financeira não me permiti ir muito além disso e a vasta biblioteca de jogos lançados em seus quase dez anos de história me entreteriam até que o preço da nova geração de videogames ficasse mais acessível.

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